Barco de papel

outra vez
menino arisco

canta o verso:
"navegar é preciso".

do raio que risca o céu
faz o mastro 
do seu barco de papel.

faz-se ao mar
sem estrela-guia. 
o peito traça a rota. 
vela ao vento 
transforma acordes-lamentos
num canto de alegria.

eis que aporta
na porta da casa 
que um dia também foi sua. 
(perto da igrejinha 
onde rezava com fé
aos domingos 
sob a imagem de São José.)

ouve um velho pregão:
- olha o sorvete! 
côco, bacuri, cajá:
melhor não há!

na ruazinha de pedras
toma banho de chuva 
até o último pingo cair. 
CARATIBUUUMM!!! 
cai da cama sentindo
o gosto de bacuri!

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