... Aqui, acolá percebo descubro ou redescubro a Beleza numa ou noutra Poesia ou Prosa nascida do mais íntimo de outras pessoas ... igualmente partes do mundo partes de tudo pedacinhos do Todo. É maravilhoso!!! E quando leio tal preciosidade mas principalmente quando releio ouço a música divinamente humana que me comove encanta. ... É como se me incrustasse em cada palavra em cada nota em cada linha e no silêncio que há entre cada uma delas!
Caronte II (Em memória de Nelson Bailão Oliveira, meu irmão.) que sabes da vida? que sabes da morte? a morte é parte da vida como a noite é parte do dia? que sabes da água que corre para o mar? o mar é mundaréu de água vertido dos olhos de amar? que sabes do barco que tem o barqueiro preso à vara que empunha barco e barqueiro na mesma corrente? que sabes do barqueiro que desce dos montes atravessa os vales nas noites medonhas de tristes insônias ansiando manhãs que não voltam jamais? pobre vareiro... sem remo, sem vela sem eira, nem beira. ... até que a (re)viu! fez-se verso sem rima cavalo sem crina na noite estrelada lançou-se ao largo. - adeus, Caronte! e ele sorrindo teceu uma vela com olhos de amigo. das chamas do peito inscreveu numa borda do barco: -...
Barco de papel outra vez menino arisco canta o verso: "navegar é preciso". do raio que risca o céu faz o mastro do seu barco de papel. faz-se ao mar sem estrela-guia. o peito traça a rota. vela ao vento transforma acordes-lamentos num canto de alegria. eis que aporta na porta da casa que um dia também foi sua. (perto da igrejinha onde rezava com fé aos domingos sob a imagem de São José.) ouve um velho pregão: - olha o sorvete! côco, bacuri, cajá: melhor não há! na ruazinha de pedras toma banho de chuva até o último pingo cair. CARATIBUUUMM!!! cai da cama sentindo o gosto de bacuri!
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