Só de ouvir... (Dos ofícios)



domingo, após a missa 

no caminho de volta pra casa 
sempre passava pelo meio da feira.


quedava um tempinho 
em volta do vendedor de cordel. 
adorava poesia...

depois, em casa, bordar. 
mãos ágeis dando vida ao linho:
borboletas, flores 
crianças, bichinhos 
... a imaginação colorindo 
a brancura do tecido.

sem se aperceber
a cada ponto 
tecia um verso 
a cada arremate 
uma nova poesia! 
poesia que amava
só de ouvir 
... porque não lia.

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